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Uma mulher na Autoridade Marítima Nacional

8 MAR 2017 08:03

Vera Lisa da Silva Cardeira alistou-se na Marinha a 27 de janeiro de 1999, com apenas 17 anos de idade. O gosto pelo mar, herdado de seu pai, pescador, e o sonho de uma carreira militar cruzando mares e oceanos ao serviço da Marinha, foi o impulso que a levou em busca de um futuro desafiante.

​​​Após 10 anos como militar – 2.º Marinheiro da Classe de Administrativo (L), concorreu aos Quadros Permanentes de Pessoal Militarizado da Marinha (QPMM) Quadro 4 - Troço do Mar. Neste concurso que envolveu exigentes provas físicas e psicotécnicas foi aprovada, tendo entrado com o posto de Ajudante de Manobra. Nas novas funções, frequentou, entre outros, cursos de governo de embarcações, de salvamento marítimo e de primeiros socorros. Desempenhou funções na Base Naval de Lisboa e na Capitania do Porto de Vila Real de Santo António, onde a principal função era a realização de vistorias para certificação de embarcações. Em novembro de 2014, destacou para uma comissão de serviço na Capitania do Porto de Lisboa, onde se mantém atualmente em funções.

Trabalha como uma mulher no meio de homens, mas confessa não ter qualquer problema e que sempre se sentiu respeitada, e que até aprecia as habituais brincadeiras que em muito contribuem para o espírito de sã camaradagem, amizade e entreajuda que reina entre todos. Salienta ser este ambiente “um dos segredos para que operações arriscadas no mar, a bordo das embarcações da Autoridade Marítima Nacional (AMN), tenham o sucesso desejado”, nomeadamente no salvamento marítimo, socorro a náufragos e assistência a banhistas e desportistas náuticos.

Do vasto álbum de recordações, a Ajudante de Manobra Vera Cardeira recorda alguns dos episódios mais marcantes da sua carreira, nomeadamente aquele em que, a bordo de uma embarcação de Alta Velocidade (EAV) da AMN envolvida numa ação de segurança a um navio em atividade prospetiva de petróleo, deflagrou um incêndio num dos motores da EAV, e que, só com muito o esforço dos três tripulantes, se conseguiu combater e extinguir o incêndio, salvando-se a embarcação e as próprias vidas, regressando a EAV ao porto de abrigo pelos próprios meios. 

Noutra ocasião, uma embarcação de recreio ficou sem propulsão em zona de rebentação e pediu auxílio. Vera Cardeira saiu em socorro a bordo de uma embarcação salva-vidas da AMN, que não teve condições de segurança para aproximar do local. Vera preparou-se para saltar para a água e nadar até à embarcação em apuros, para passar um cabo de reboque. Nessa altura apareceu uma mota de água, também empenhada na ação de salvamento, e Vera Cardeira passou do salva-vidas para a mota de água e foi levar o cabo à embarcação à deriva, permitindo assim o reboque para o porto, consumando o salvamento da embarcação e dos seus ocupantes. “Nesse dia tive como prémio governar o salva-vidas de regresso ao porto”, conta com entusiasmo. 

Ao fim de 18 anos na Marinha, Vera Cardeira conta no seu curriculum com vários louvores, numa vida profissional cheia de ação, recheada de novas experiências e de momentos de tensão, confessando-se satisfeita, realizada e não estar arrependida da decisão tomada em adolescente, quando resolveu abraçar uma carreira ligada ao mar e à Marinha. “Na altura, tive de trazer uma autorização assinada pelos meus pais, pois ainda era menor”, relembra, por entre sorrisos. ​

Hoje, com 35 anos ambiciona prosseguir a carreira na Autoridade Marítima Nacional, continuando a colaborar no auxílio a pessoas no mar ou em ações de combate à poluição e repressão de ilícitos no mar, como militarizado do Troço do Mar, ao serviço da Marinha e de Portugal. “É a vida que escolhi e da qual muito me orgulho”.​