Exmo. Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional,
Permita-me que as minhas primeiras palavras lhe sejam dirigidas, para lhe
agradecer, de forma muito particular, a vontade e disponibilidade para presidir
a
esta cerimónia comemorativa dos 107 anos da Polícia Marítima,
representando uma distinção que muito honra e prestigia esta Instituição.
Vemos também nela o reconhecimento da relevância da missão que esta
Polícia desempenha diariamente ao serviço do Estado, da segurança dos
cidadãos e da afirmação da autoridade de Portugal no mar.
Exmo. Sr. Comandante Brito e Abreu, em representação do Presidente do
Governo Regional dos Açores,
É para nós motivo de elevada honra e particular distinção poder contar com a
presença de tão ilustres personalidades, conferindo a este ato uma dignidade
muito especial e que testemunha, de forma clara e inequívoca, a importância
que a Assembleia Legislativa e o Governo dos Açores atribuem ao mar e à
Autoridade Marítima Nacional. A relação com estas Instituições é assente na
confiança, na cooperação, na lealdade institucional e num profundo espírito de
serviço público, que se traduz, diariamente, em benefícios concretos para o país
e, muito particularmente, para todos os portugueses que vivem neste
arquipélago.
Permitam-me ainda que dirija uma palavra muito sentida a todos os açorianos.
Ao longo dos anos, as populações destas nove ilhas têm sabido acolher a
Polícia Marítima de uma forma que nos toca profundamente. O carinho, o apoio,
a proximidade e o respeito que sempre demonstraram são bem reveladores da
confiança e da consideração que a Polícia Marítima conquistou junto das
populações.
Exmo. Sr. Dr. Sérgio Rezendes, em representação do Presidente da
Câmara Municipal de Ponta Delgada,
Quero igualmente agradecer por terem acolhido estas comemorações,
permitindo que o Dia da Polícia Marítima seja celebrado numa região que
simboliza, talvez como nenhuma outra, a dimensão marítima de Portugal.
Exmo. Sr. Vice-Almirante Vice-Chefe do Estado-Maior da Armada;
Gostaria de realçar o apoio da Marinha através da Banda da Armada e da
Direção Cultural da Marinha. Obrigado
Exma. Sra. Juiza Presidente do Tribunal da Comarca dos Açores,
Exmo. Senhor Vice-Reitor da Universidade dos Açores,
Exmas. Sras e Srs Membros do Governo Regional,
Exmos. Srs Oficiais Generais,
Exmo. Sr. Bispo das Forças Armadas e das Forças e Serviços de
Segurança
Exmo. Sr. Vice-Almirante ex-CGPM,
Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Lagoa,
Não poderia deixar de agradecer se ter juntado a estas comemorações através
da iniciativa da limpeza de praias e na realização do workshop de mergulho.
Muito obrigado.
Exmos Srs. Chefe do Departamento Marítimo e Comandante Regional da
Polícia Marítima dos Açores e Capitão do Porto e Comandante Local da
Polícia Marítima de Ponta Delgada;
Obviamente que tenho a obrigação de realçar o vosso empenho e dedicação
que, a par de todos os órgãos centrais do Comando-Geral da PM, permitiram
que este dia fosse possível. Bem-hajam.
Exmas. Sras e Srs representantes das Forças Armadas, das Forças e
Serviços de Segurança e da Proteção Civil, e de autoridades civis,
consulares, autárquicas, religiosas e associativas;
Srs. Capitães do Porto e Comandantes Locais da Polícia Marítima;
Militares, militarizados e civis, da Polícia Marítima e da Direção-Geral da
Autoridade Marítima;
Antigos e atuais elementos da Polícia Marítima;
Distintos convidados;
Minhas Senhoras e meus Senhores,
Celebrar 107 anos da Polícia Marítima é celebrar mais de um século de serviço
público. É recordar o passado, reconhecer o presente e, acima de tudo, assumir
responsabilidades perante o futuro.
A história da Polícia Marítima encontra as suas raízes numa realidade que
acompanha Portugal desde há séculos: a necessidade de exercer autoridade
do Estado desde as águas interiores até e ao longo do nosso imenso mar.
Foi em 13 de setembro de 1919, num contexto de profunda transformação que
se seguiu ao final da Primeira Guerra Mundial, que a Lei n.º 876 criou
formalmente, no Porto de Lisboa, o Corpo da Polícia Marítima.
A intensificação da navegação e o aumento da atividade portuária tornavam
necessária a existência de uma organização especializada, preparada para
assegurar a fiscalização, a segurança da navegação e o cumprimento das
determinações do Capitão do Porto.
Nascia, assim, uma instituição que, 107 anos depois, permanece
profundamente atual e, mais do que nunca, fundamental, e que decidiu hoje
celebrar o seu Dia nos Açores.
Aqui, o mar não é apenas uma fronteira geográfica. É um elemento estruturante
da identidade das populações, sendo fonte de conhecimento, de riqueza, de
desenvolvimento e de ligação entre comunidades. É claramente um símbolo da
maritimidade nacional e de importância geoestratégica muito significativa.
Aqui o mar não é apenas paisagem, está presente na história das famílias, nas
profissões, nas tradições, na economia, na cultura e na forma de sentir o dia-a
dia.
Durante séculos, o mar representou distância e isolamento, mas representou
também ligação ao mundo. Foi caminho de pescadores, de exploradores, de
marinheiros, de emigrantes e de navegadores, entre os quais temos grandes
exemplos como Roberto Ivens e de Gaspar Corte-Real.
Hoje, continua a ser uma fonte extraordinária de oportunidades e constitui um
dos mais relevantes ativos estratégicos do nosso país. É neste enorme espaço
Atlântico que se cruzam importantes rotas de navegação, que existem
ecossistemas marinhos de extraordinário valor, que se desenvolvem atividades
de pesca, transporte marítimo, turismo, investigação científica e tantas outras
atividades ligadas à economia azul.
Mas é também um espaço de enorme responsabilidade. Um espaço onde a
presença do Estado tem de ser permanente, competente e credível e é
precisamente por isso que escolhemos dedicar estas comemorações à
preservação do meio marinho e à conservação das áreas marinhas protegidas.
Os Açores acolhem a maior rede de áreas marinhas protegidas do Atlântico
Norte, recordando-nos que proteger o mar não significa apenas preservar
ecossistemas, significa garantir recursos para as gerações futuras, assegurar a
sustentabilidade das atividades marítimas e afirmar a soberania nacional
através de uma presença efetiva e responsável.
A Polícia Marítima tem sido parte importantíssima desse esforço.
Porque proteger o mar é também exercer autoridade. É fiscalizar. É prevenir. É
investigar. É combater a criminalidade. É salvar vidas.
É garantir que todos podem utilizar o espaço marítimo em liberdade, mas
sempre com responsabilidade.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Ao longo dos seus 107 anos de existência, a Polícia Marítima soube adaptar
se às transformações do País e do próprio mar.
Mudaram os riscos, as ameaças, as tecnologias, mas nunca mudou aquilo que
verdadeiramente nos define: O sentido de missão; a disponibilidade
permanente; a proximidade às comunidades marítimas; e a convicção de que
servir Portugal no mar é uma das mais nobres formas de serviço público.
Hoje somos uma força policial altamente especializada e preparada para
responder a desafios cada vez mais complexos, não sendo por mero acaso que
já foi apreendida, este ano, uma quantidade maior de narcóticos do que em todo
o ano de 2025; mais do duplicamos a apreensão de embarcações de alta
velocidade e 50 vezes mais combustível.
Cooperamos diariamente com a Marinha, com as forças e serviços de
segurança, outros órgãos de polícia criminal e com inúmeras entidades
nacionais e internacionais.
Tudo isto porque compreendemos que a segurança marítima deixou há muito
de conhecer fronteiras. É hoje um esforço coletivo, onde a cooperação constitui
uma condição indispensável para o sucesso, pelo que fazemos deste requisito
uma prioridade, e por isso gostaria de partilhar o facto de recentemente terem
sido conduzidas duas operações interagências com a GNR no âmbito da
fiscalização da pesca. Uma em São Miguel e outra na Terceira.
Mas nenhuma organização se afirma apenas pelos equipamentos que possui,
nem pelas competências que a lei lhe atribui. Afirma-se, sobretudo, pelas
pessoas que diariamente lhe dão vida.
É por isso que as minhas primeiras palavras de reconhecimento se dirigem às
mulheres e homens da Polícia Marítima, aos que hoje se encontram ao serviço,
nas Regiões Autónomas, em Portugal continental e no estrangeiro, a patrulhar
e vigiar portos, barras, praias e zonas costeiras, e que muitas vezes longe do
olhar público, garantem que a autoridade do Estado está presente onde é
necessária através da fiscalização, da investigação e no combate às atividades
ilícitas.
É graças ao vosso profissionalismo, dedicação e sentido do dever que os
portugueses continuam a confiar na Polícia Marítima.
Essa confiança não se decreta, constrói-se todos os dias, através de cada ação
por vós conduzida e em cada gesto de proximidade para com as comunidades
locais.
E é precisamente essa confiança que constitui o nosso maior património.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
O mundo marítimo está a mudar, tal como mudam as formas de utilização do
mar. E muda também a responsabilidade daqueles que têm por missão garantir
que o mar continua a ser um espaço seguro, livre e protegido.
Do combate ao narcotráfico à imigração ilegal, da criminalidade organizada, à
poluição marítima e à exploração ilegal dos recursos do mar, estes são os
desafios comuns a todos os Estados costeiros e exigem respostas cada vez
mais integradas.
É neste contexto que a Polícia Marítima continuará a afirmar-se como uma força
especializada e preparada para responder às exigências do presente e do
futuro.
Mas permitam-me afirmar uma convicção muito clara. Por mais evoluídos e
sofisticados que sejam os equipamentos e sistemas, nada substitui o
discernimento, a coragem e a dedicação das mulheres e dos homens que
diariamente vestem o uniforme da Polícia Marítima.
São eles a nossa maior capacidade operacional e a razão do prestígio que a
Instituição conquistou ao longo de mais de um século, e é precisamente por
isso que continuaremos a investir na valorização dos nossos profissionais,
porque as organizações fortes constroem-se através das pessoas e são as
pessoas que fazem da Polícia Marítima uma instituição respeitada pelos
portugueses.
Assim, não são as denuncias anónimas e as queixas-crime que irão reduzir todo
o investimento que está previsto ser aplicado em vós e no vosso equipamento,
pois estamos focados no futuro e não nas entropias do presente.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Celebramos hoje o Dia da Polícia Marítima, mas, acima de tudo, uma forma de
servir Portugal através de gerações de mulheres e homens que souberam
honrar um legado de coragem, de disciplina e de dedicação ao serviço público.
Mas celebramos igualmente as famílias, porque também elas partilham os
sacrifícios desta profissão, as ausências, a incerteza, o peso de uma missão
que muitas vezes exige colocar o dever acima do interesse pessoal.
A todas elas deixo uma palavra de sincero reconhecimento. O vosso apoio
constitui uma força silenciosa, mas absolutamente indispensável para que
possamos cumprir a nossa missão.
Exmo Sr Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional,
A Polícia Marítima continuará a honrar a confiança que o Estado nos deposita.
Continuaremos a afirmar a autoridade do Estado no mar, a proteger a vida
humana, a combater a criminalidade, a preservar o ambiente marinho.
Continuaremos a trabalhar lado a lado com a Marinha e com todas as entidades
que connosco partilham a responsabilidade de garantir um país mais seguro,
servindo Portugal no mar.
Cumpre ainda dar pública nota de reconhecimento e agradecimento pelo
esforço e diligências do Ministério no recente desbloqueamento de 76
promoções, bem assim como de 51 ingressos na carreira. Não obstante, uma
e outra medida ficam aquém, por um lado, dos requeridos 125 ingressos,
quantitativo essencial à renovação dos efetivos (num corpo policial em que a
média de idades é de 45 anos) e, por outro lado, das 119 promoções,
fundamentais ao harmonioso equilíbrio do desenvolvimento e da progressão de
carreira.
Nestas matérias, assim como nas matérias relacionadas com a promulgação
da lei-orgânica e do estatuto da Polícia Marítima, contamos com o continuado
empenho de V.Ex.ª, e tudo faremos para prosseguir o diálogo construtivo que
nos leve à obtenção de tão estruturantes quão importantes documentos.
Exmos. Srs. Representantes da Presidência da Assembleia Legislativa da
Região Autónoma dos Açores e do Governo Regional dos Açores,
Também nós temos desafios para ultrapassar que de uma forma mais ou menos
direta afetam a Polícia Marítima:
- Começo pelo alojamento, em particular o caso do Bairro dos Americanos,
processo que se arrasta há diversos anos e os blocos habitacionais
altamente degradados da ex-ERN da Horta;
- Não há cidade que não sinta orgulho da sua estação salva-vidas, pelo que
urge encontrar uma solução definitiva na cidade da Horta e na ilha
Terceira;
- Torna-se necessário rever o protocolado existente quanto ao
assinalamento marítimo e portuário.
Assim, solicito todo o vosso apoio institucional para levarmos a bom porto os
referidos processos.
Enquanto houver mar para proteger…Enquanto houver vidas para salvar…
Enquanto houver comunidades marítimas para servir…Haverá sempre
mulheres e homens da Polícia Marítima prontos a cumprir a sua missão.
Este é o nosso compromisso, a nossa identidade e continuará a ser o caminho
da Polícia Marítima.
Como escrevia esse grande Açoriano e Português, Vitorino Nemésio, Quando
penso no mar, o mar regressa. A certa forma que só teve em mim, que onde
acaba, o coração começa.
Disse.