Direção de faróis

História e Heráldica

A história da evolução dos faróis ao longo dos séculos, no mundo e em Portugal.

​História

Farol da Guia, Cascais

Ao que parece, as primeiras luzes a serem instaladas em terra eram constituídas por fogueiras com toros de madeira ou carvão de pedra, que as confrarias de marítimos mantinham em pontos isolados sobre o mar.

Herdeiros desta tradição vieram a ser os frades, pois a localização de diversos conventos tornava-os locais de eleição para a colocação daquelas fogueiras.

Assim, no século XVI, surgiram faróis no Cabo de S. Vicente, em Cascais (Nossa S.ª da Guia) e de no Douro (Nossa S.ª da Luz).

No entanto, o primeiro farol realmente edificado foi o de Nossa S.ª da Luz, edificado em 1761 a norte da barra do Rio Douro, e que já não existe.

De facto, só em 1758, por alvará pombalino, os faróis passam a ser uma organização oficial, sendo a sua edificação da responsabilidade da Junta de Comércio; este alvará manda edificar seis faróis, tendo vindo a concretizar-se os de N. S.ª da Guia (1761), Cabo da Roca (1772), S. Julião, Bugio e Serra da Arrábida (1775). Em 1790 surgiriam os do Cabo Carvoeiro e Cabo Espichel.

Em 1835, com o serviço de faróis já dependente do Ministério da Fazenda, é autorizada a construção de mais cinco faróis: Berlenga (1840), Cabo de S. Vicente (1846), Cabo de Santa Maria (1851), e Cabo Mondego (1858).

Em 1852 o serviço transita para o Ministério das Obras Públicas, aquando da sua criação, e em 1864 é nomeada uma comissão presidida pelo engenheiro hidrógrafo Francisco Maria Pereira da Silva para estudar a passagem dos faróis ao Ministério da Marinha.

Farol da Ponta do Arnel, S. Miguel, Açores

Dos estudos deste prestigiado oficial da Armada resulta, além de melhoramentos diversos e da construção do farol do Cabo Mondego, um projeto geral de farolagem datado de 27 de Janeiro de 1866.

Circunstâncias diversas levaram a que, após uma efémera passagem pela Marinha, o serviço dos faróis retornasse em 1868 às Obras Públicas, designadamente à Direção Geral de Telégrafos e Faróis.

Do projeto de Pereira da Silva nasceriam os faróis de Esposende (1866), Santa Marta (1868), Ponta de S. Lourenço (1870), Ponta do Arnel (1876) e Cabo de Sines (1880).

Em 1880 dá-se a fusão da Direção dos Telégrafos com a dos Correios, dela resultando a Direcção-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, da qual só em 1892 estes saíram definitivamente para a Marinha.No ano de 1881 é nomeada uma Comissão de Faróis e Balizas que, presidida pelo Diretor-geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, Guilhermino Augusto de Barros, conta entre os seus vogais, os contra-almirantes Maria dos Reis, Freire de Andrade e Pereira da Silva, tendo por encargo a elaboração de novo plano de farolagem das costas, portos e barras do continente, o qual é aprovado em 1883.

Com a passagem do serviço dos faróis para a Marinha e a criação em 1902 de uma comissão para a modernização do equipamento dos faróis, da qual fazia parte o capitão-de-fragata Júlio Zeferino Schultz Xavier, vêm a ser criados os faróis de Aveiro, Cabo Raso e Ponta do Altar (1893), Sagres (1894), Ilhéu de Cima (1900), Ferraria (1901), Nazaré (1902) e Capelinhos (1903). Até 1906 são criadas 39 novas luzes e reformadas 13 já existentes.

Foram seguidamente edificados os faróis da Serreta (1908), Ponta das Lages (1910), Ponta da Piedade (1913), Gibalta e Esteiro (1914), Ribeirinha (1919), Ponta do Pargo (1922), Vila real de Santo António (1923), Albarnaz (1924), Leça e Gonçalo Velho (1927), Ponta da Barca (1930), Contendas (1934) e Ponta da Ilha (1946).

Dos Trabalhos de uma comissão presidida pelo então Diretor de Faróis, capitão-de-fragata Borges de Carvalho, para escolha dos bocais de novos faróis dos Açores, vêm a edificar-se os do Carapacho (1956), Ponta da Garça e Cintrão (1957) e Rosais (1959).

Também na sequência de estudos para a implantação de novos faróis na Madeira por uma comissão presidida pelo capitão-de-fragata Mexia Salema, viria a ser construído o farol da Ponta de S. Jorge e os farolins dos Ilhéus Ferro e Chão (1959).

Nos Tempos mais recentes, embora não tivessem sido edificados faróis, foram implantados diversos farolins no Continente e nas regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

Paralelamente, um grande esforço tem vindo a ser aplicado na adoção de novas tecnologias com o duplo intuito de melhorar a qualidade do serviço prestado e diminuir os encargos de aquisição e manutenção.

A Direção de Faróis

O Serviço de Faróis constituiu inicialmente a 3ª Secção da 6ª Repartição do Conselho do Almirantado, competindo-lhe o "serviço de iluminação e respetivo material, e o de marcas, balizas e sinais sonoros na costa do continente e ilhas adjacentes". Em 1907 o Serviço de Faróis passou a constituir uma Repartição própria, diretamente dependente da Direcção-Geral da Marinha.

DF
Direção de Faróis

Com o aumento significativo do número de faróis e dispositivos de assinalamento implantados, foi então criada a Direção de Faróis, por decreto datado de 23 de Maio de 1924, com o objetivo de concentrar numa única entidade a responsabilidade por todas as Ajudas à Navegação em Portugal Continental e ilhas, assim como pela gestão do pessoal faroleiro.

Em 1926 foram construídos em Caxias, uma oficina, um depósito de material e um edifício para receber a estrutura organizacional da direção, mas só vinte anos mais tarde, em 8 de Julho de 1946, é que a Direção de Faróis foi transferida para as instalações do extinto Grupo de Defesa Submarina da Costa, em Paço de Arcos, local onde permanece até aos dias de hoje, complementadas em 25 de Agosto de 1961, com a inauguração do Edifício do Comando e da Escola de Faroleiros.


Heráldica

DESCRIÇÃO HERÁLDICA – Escudo de negro com uma trípode de prata rematada por uma labareda de ouro. Bordadura cosida de azul, polvilhada de estrelas de ouro de cinco pontas. Coronel naval de ouro forrado de vermelho. Sotoposto listel de prata ondulado com a legenda em letras negras maiúsculas, tipo elzevir, «DIREÇÃO DE FARÓIS».​

SIMBOLOGIA – A labareda simboliza as enormes fogueiras que, ardendo ao ar livre, eram usadas para indicar aos mareantes o abrigo desejado ou o perigo a evitar, enquanto as estrelas de ouro em fundo azul aludem ao céu noturno.